quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Balada do Cárcere
Ópera-rock sobre o Cárcere de Abaetetuba
3 – os detentos
Um cultivou o seu amor com agrotóxico,
enterrou o corpo na horta,
onde nunca mais nasceu couve.
Outro, em nome da honra da filha,
cortou o pinto do vizinho e jogou na rua
– ali, brincavam de varinha atrás.
Mais ao fundo, um unha-de-fome
que têm o estômago como mentor
intelectual de seus atos
– roubava supermercados
com a prudência de ser preso: nada lhe
era melhor que a comida sem sal do Estado.
Alguns, resignados, assumiram crimes alheios
afim de quitarem carnês de jogatina e tráfico:
confessaram uma degola, adotaram umas fraturas
– em sua maioria ritualísticos ladrões de galinha
e usuários recreativos de cola de sapateiro,
que não teriam mesmo outro lugar para irem.
Há aqueles que não possuem crime algum
senão terem nascidos inclinados ao soco,
atraídos pelo grito, propensos ao ódio.
Aqui o sol é o mesmo para todos,
e o interruptor o apaga.
*
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23 comentários:
Boa noite. Parabéns por mais um desafiador poema.
Bela trilogia! Ácida, contundente... muito boa.
beijos
Uma trágica e bela trilogia, Nolli. Grande abraço.
sua poesia engajada tá cada vez mais sofisticada.. beijoss
Gostei muito dos seus escritos, Rafael.
"senão terem nascidos inclinados ao soco,
atraídos pelo grito, propensos ao ódio"
Forte isso, bem forte.
Bjo!
cara... sem duvida o melhor dos treis! esta de parabens nolli... Trilogia magnifica! grande abraço...
Depois de tanto tempo, foi com raro prazer que reencontrei seus versos, com sua beleza crua, trágica e atual.
"Aquí o sol é o mesmo para todos,
e o interruptor o apaga."
A lírica crueza destes versos provoca arrepios, misto de horror pela realidade e prazer estético.
Grande abraço.
tá ficando interessante
aquele abraço!
Òpera-rock...soul !!!
beijos
Pois é...é estranho como nossa sociadede se habitua a tudo por medo e egoísmo.
Mas ao menos é bom saber q aquela de "..a nossa indignação é uma mosca sem asas, não ultrapassa as janelas de nossas casas." Não vale pra todo mundo...
Muito bom!Abraço Seu Nolli!!
H Samsa.
Tem algo escondido por trás de tudo.
A denúncia versus a doçura, a compaixão.
Existem tantos tipos de dores... e tanta opções - contraditoriamente - impostas.
Ninguém escolhe ser infeliz. Simplesmente somos. Eu acho.
Escolhe-se, sim, o crime, mas o que o motiva está muito além das mãos. É coisa de alma.
Tô adorando essa 'balada'.
Um beijO!
fala, poeta, tudo bem?
escrevi dia desses pra Loba, mas até agora nada. alguma novidade sobre o nosso Trilhas?
até!
Menino...vc anda mais sumido do que eu!rs
bjos
Nolli, estou acompanhando seu Balada do Carcere, ótimo poema, gostei muito deste (3).
abraço
amei a prosa sobre o amor lá no diverso e afins !!!
rafael, li você no Trilhas, cara. parabens. e agora estou lendo essa parte da ópera aqui 'os detentos'. muito bom, rapaz! sem demagogia. e digo mais, quem sabe, com essa sua linguagem, ficaria melhor se fosse prosa pura, tipo um conto mesmo. mas, enfim...
mais uma vez parabens e abraço.
(www.blogdogafanhoto.zip.net)
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