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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

The Soronprfbs Zine.

Capas dos números 1, 2 e 3!

Participaram...
nº 1:
Cássio Amaral
Heleno Álvares
Rômulo Ferreira
Líria Porto
Jorge Vicente
William Blake
 Flávio Otávio
Matisse
Rafael Nolli
Hugo Martins
Adalberto Souza

nº 2
Cesáre Tinajero
Cássio Amaral
Fabiano Calixto
Heleno Álvares
Pixies
Rafael Nolli
Cate Le Bon
Sara não tem nome
Hugo Martins
Adriana e Rafael Godoy
Isaias Faria
Carl Sandburg
Luiz Olavo Fontes
Pollock

nº 3
William Carlos Williams
Ton Lima
Lucas Félix
Rafael Nolli
E. E. Cummings
Higo Martins
Mara Senna
Jorge Vicente
Picasso
Diego Moraes (Urso)
Euza Noronha
Glauber Vieira Ferreira
Erico Baymma
Líria Porto
Rômulo Ferreira
Neruda
José Paulo Paes


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O mesmo título de um poema de Konstantinos Kaváfis

(e um plágio confesso, evidentemente)
Behemoth e Leviathan - tela de William Blake

Vencidas as montanhas
eles rumam à cidade.

Quilômetros a serem devorados
e o ar já se torna irrespirável –
um bafo antediluviano
lambendo a pele do campo.

A caminho, calcinando a paisagem,
vão comendo a pata dos cavalos –
mera ilusão para a fome que carregam
sobre o lombo de animais elétricos.

Vencidas as montanhas
eles rumam à cidade.

Distâncias a serem consumidas
e o chão já se comporta mal –
a terra, cortada pela frieira,
expõe a carne de raízes retorcidas.

Em seus rastros, rios nauseados
vomitam sobre o próprio corpo –
peixes abortados à flor da água
oferecem as entranhas às moscas.

Vencidas as montanhas
eles rumam à cidade.

2
E não merecemos nada
além de sermos assassinados.




* do livro comerciais de metralhadora

_________
PARA VER E OUVIR



À Espera dos Bárbaros - Constantino Kaváfis (1863-1933)
     tradução de José Paulo Paes.

O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.
Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?
É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.
Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?
É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.
Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?
É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.
Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?
É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloquências.
Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?
Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.


Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.


*