Fragmento
retirado de um e-mail falso
Para Wewerton (Caim)
Quem
virá me salvar?
Quando? E como?
As preces se perdem: o deus-cavalo saxão ñ compreende minhas
psicopatologias: quem vem, herói ou vilão, Jesus ou
Judas, reerguer-me da briga que se arrasta pelas ruas
e que tem sido a minha vida: quem vem,
& como, levantar-me de uma queda que se eterniza no impacto com o chão:
levantar-me de um tombo
fatal, sistêmico:
caio, cai minha sanidade; caio, despenca
meu juízo.
Pensei, ontem, em dizer uma palavra mágica, que guardo há muito,
que destruiria todas as coisas (voaria antes, eu
vislumbrei isso, como
o Enola Gay voou [em
seu útero um ovo] por sobre as cabeças sem chapéu dos homens);
pensei ontem, verbo
mágico se debatendo em
meus dentes
em cela,
que essa palavra seria ouvida nos manicômios como
um chamado insano
à realidade (isso
se denomina poesia!).
Quem, quando
& como virá, se é que se pode, se é que se efetiva,
destituir-me da minha dor, levá-la de mim?
(Como se leva uma pluma muito leve / levá-la como
se leva o rosto
ao soco / como se lava
o sangue das mãos
após a carícia
dos estúpidos / como se conduz às vísceras o cabo
da faca...]).
Quem poderá, dos
Elíseos ou dos Umbrais, separar-me de meu medo, desencravá-lo de mim? – adestrá-lo, deixá-lo dócil
como um
lobotomizado a passear sem
poder algum em meio aos meus pensamentos
sem que os transfigure em verde, sem que os potencialize em
dor & os converta em dúvida? Quem? Quando? Como?