Era preciso datar e catalogar as invasões bárbaras Descrever os saques, as pilhagens, fotografar o campo em chamas para delimitar novas fronteiras – esse meu mundo, sempre diminuindo!
Ao norte, os planos vêm montados em asas de corvos O oeste, silente, se arma O sul, em marcha, rompe a campina próxima Uma gota de caos encharca o leste Perigo rondando Sempre
Era preciso eternizar minhas mazelas, pois elas extravasam os limites de minha mente, e eis que meu corpo é muito pequeno para contê-las
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Herança
Foto: Rafael Nolli
Não sei se vou
dizer
emquepécaminha a esperança
no fruto
ainda
na semente
ou se digo
–
se devo dizer –
algosobre a certeza
nas coisas quadradas
que se estendem
até se arredondarem.
Não sei se falo
–
ainda há voz
–
de equaçõesquímicasque se resolvem em
silêncio
noslivrosquenunca caducam
ou se conjecturo
a lutaque
enfrentaram os que, antes
de nós,
domesticaram os grãos a nascerem
próximo ao apelo da
mão.
Não sei se retrato a terra sitiada
de onde escapou o musgo,
que cobre
as pedras
como
uma pelagem de inverno,
ou se explico
–
restaumfilete de canto
–
os vislumbres de umfuturo próximo,
ondeainda se morre como em
Comerciais
de Metralhadora.
Não sei se devo
–
ou se me
permitem –
relatar as dificuldades
dos homens nas fornalhas,
derretendo o minérioque irá
virarbibelô
de madame
oumaçaneta de táxi, e conto,
de mãospostas, a suadietafria, isenta de
calorias;
Camarada, que poema magistral. Eu precisaria xingar nomes, e sujar esse recado. Não tenho palavras pra explicar o como me sacudiram essas palavras, esse feitiço verbal. Devo dizer: "domesticaram os grãos a nascerem próximo ao apelo da mão" é conjuração, é: !!!!!
Nascido em Araxá, no ano de 1980. Publicou "Memórias à Beira de um Estopim" (Independente, 2005), "Elefante" (Coletivo Anfisbena, 2012), Gertrude Sabe Tudo (Gulliver, 2016), Ao Pé da Letra (Independente, 2017) e Isca (independente, 2020).
Contatos: nolli@bol.com.br
Twitter: @nollirafael
Snap: rafaelnolliprof
Um breve relato por trás da confecção e execução do poema "Planos de Voo". Crédito da imagem: Pipilotti Rist (selbstlos im lavabad)
Para Ver - Youtube
Poema Esofagite - Narração de Luis Gaspar, Estúdio Raposa, Portugal; edição de Larissa Marques, Editora Utopia. Crédito da imagem: Max Ernst - Submersus
Para ouvir
Meus poemas no audioblog português Estúdio Raposa
Diversos Afins
Revista Mensal
Germina
Revista Literária Germina
Livro
Memórias à Beira de um Estopim. Publicado em 2oo5. Edição independente. Últimos exemplares.
Poema # 1
Arte: Soreg - poema do livro Comerciais de Metralhadora
5 comentários:
Talvez seja isso mesmo: "outdoors do apocalipse", mas o poeta, mesmo querendo, não consegue emudecer.
Belo e trágico poema, Nolli, beijo.
Calar o que nos aflige ou inquieta é deixar a vida passar em branco. Para isso exite a palavra, que você sabe usar tão bem.
Abração.
Meu Grande Poeta,
Adoro a sua poesia intensa, forte, visceral!
Te abraço
Jorge
Que tenhamos sempre rastros poéticos aos que virão, rastro de humanidade...
Beijos Nolli, boa semana.
Carmen.
Camarada, que poema magistral. Eu precisaria xingar nomes, e sujar esse recado. Não tenho palavras pra explicar o como me sacudiram essas palavras, esse feitiço verbal. Devo dizer: "domesticaram os grãos a nascerem próximo ao apelo da mão" é conjuração, é: !!!!!
grande abraço
tenório
http://palavratardia.wordpress.com/
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