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segunda-feira, 22 de julho de 2013
XX
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sábado, 25 de fevereiro de 2012
Herança
| Foto: Rafael Nolli |
Não sei se vou
dizer
em que pé caminha a esperança
no fruto
ainda
na semente
ou se digo
–
se devo dizer –
algo sobre a certeza
nas coisas quadradas
que se estendem
até se arredondarem.
Não sei se falo
–
ainda há voz
–
de equações químicas
que se resolvem em
silêncio
nos
livros que
nunca caducam
ou se conjecturo
a luta que
enfrentaram os que , antes
de nós ,
domesticaram os grãos a nascerem
próximo ao apelo da
mão.
Não sei se retrato a terra sitiada
de onde escapou o musgo,
que cobre
as pedras
como
uma pelagem de inverno,
ou se explico
–
resta um
filete de canto
–
os vislumbres de um
futuro próximo,
onde ainda se morre como em
Comerciais
de Metralhadora.
Não sei se devo
–
ou se me
permitem –
relatar as dificuldades
dos homens nas fornalhas,
derretendo o minério que irá
virar bibelô
de madame
ou maçaneta de táxi , e conto ,
de mãos postas , a sua dieta fria , isenta de
calorias;
não sei se
romantizo
os vagabundos noturnos
que chamo pelo
nome
ou se narro as noites em que sonho com a Poesia
– a inevitável
–
e acordo
de pau duro.
Não sei se
confirmo
–
se é lúcido confirmar –
as verdades
sobre a ternura dos ditadores
para com suas esposas
& amigos
o carinho dos
carrascos
& torturadores dispensados aos seus filhos
&
amantes
ou se, simplesmente , me
calo.
Não sei,
talvez o poeta esteja mudo
diante dos outdoors do apocalipse.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Resposta a um poema de Maiakóvski
Eu não sou o homem feliz que talvez exista.
![]() |
“Liubliú” (Amo), poema anel de Maiakóvski dedicado a Lília Brik - versão tipográfica de El Lissitski (1923) |
quinta-feira, 23 de junho de 2011
O silêncio das bibliotecas
sábado, 3 de julho de 2010
Jesus
espessa como a baba de um condenado.
domingo, 23 de maio de 2010
Legenda para filme de Sergei Eisenstein
O poema tem que ser ácido,
não por mim,
mas por Sacco & Vanzetti –
sentados em cadeiras onde serão eletrocutados.
O poema tem que ser ferino,
não por mim,
mas pelo Líbano novamente bombardeado –
e que será bombardeado até que os telejornais
se cansem de noticiar a desgraça dessa guerra.
(Que o verso noticie as crianças confusas,
as bibliotecas cheias de poesia,
as mulheres agarradas às barbas de Maomé,
os cedros cantados pelo profeta Ezequiel –
todos excluídos das estatísticas,
pois suas mortes foram desprezadas
por não venderem jornais
e atrapalhar o comércio bélico.)
O poema tem que ver além do seu próprio umbigo,
não por mim,
que muito sei do meu umbigo,
mas por todos aqueles que amanhã
acordarão desesperados –
eu e meu umbigo entre eles.
O poema tem que ser denunciante,
não por mim,
mas por Ruanda
que na Noite dos Facões
perdeu um milhão de seus filhos
para uma fábula belga
sem príncipe encantado ou final feliz.
(Que no poema escorra o sangue dessa gente
que ainda ontem estava viva,
donas de suas mãos e
cabeças decepadas pelos vizinhos,
onde buscavam o sal
que faltava para colorir as suas mesas escassas.)
O poema tem que ser visionário,
não por mim,
que mal posso ver além das brumas do agora,
mas por todos aqueles que mesmo vendados continuam
sem dosar os passos no campo minado das cidades.
(Que o poeta saiba cantá-los
sem se esquecer dos
crimes diários que a sociedade obriga-os a cometer
[Bakunin sorri nessa estrofe!])
O poema tem que ser dos homens,
respirar o mesmo ar que eles,
chorar os mesmos mortos,
estar ombro a ombro nas filas dos hospitais
ou nas trincheiras do desemprego,
não por mim, poeta, não por mim.
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Mais poemas por aí:
* Estou na Revista Biografia do amigo Daufen Bach
* Novamente na bela Revista Letras Et Cetera
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