sábado, 17 de setembro de 2016
Gertrude Sabe Tudo
Amigos, meu livro Gertrude Sabe Tudo foi lançado! Pode ser comprado no site da Editora Gulliver ou nas principais livrarias do Brasil! Trata-se de uma história infantojuvenil, ilustrada por Gutto Paixão.
Sinopse:
A história de Gertrude não começa com o clássico “Era uma vez”... Não há nenhuma princesa perdida, nenhum sapo para virar príncipe... nada de bruxas, boas ou más. Também, a narrativa da Menina que Sabe Tudo, não termina como nos contos de fadas. Mesmo assim, e talvez por isso, ela mereça ser contada.
Sinopse:
A história de Gertrude não começa com o clássico “Era uma vez”... Não há nenhuma princesa perdida, nenhum sapo para virar príncipe... nada de bruxas, boas ou más. Também, a narrativa da Menina que Sabe Tudo, não termina como nos contos de fadas. Mesmo assim, e talvez por isso, ela mereça ser contada.
domingo, 8 de maio de 2016
O sacrifício de Tanta Carhua
1
alguém havia dito:
“não se deve sentir dó
senão o bicho não morre!”
sem cabeça
o corpo da galinha correu alguns
metros
trombou em uma parede
e se debatendo tentava se levantar
2
o carniceiro explicava
“é só uma estocada no sovaco
acerta bem no coração”
e afiava a faca em uma pedra
em desespero
o porco se livrou da corda
e sangrando
– em profusão –
– em profusão –
foi morrer escorado nas tábuas do
chiqueiro
3
era eu que sentia dó
domingo, 10 de abril de 2016
Dois poemas sobre cocô
Amigos, meu livro infantil está prontinho. É uma obra pequena, com 20 poemas, as ilustrações são do meu filho, Dudu (agora com 4 anos). Tenho dois poemas que falam sobre cocô. Preciso eliminar um, mas qual? Que decisão difícil!
Rock n Roll
observando
a rede de alta-tensão
o menino
imagina um gigante
executando
um solo de guitarra
quando
de
repente
duas
andorinhas pousam no fio
e a
de cima caga na de baixo
ou
Força Aérea Emplumada
A
estátua do presidente
no
meio da praça central
é o
Q.G.
de
onde partem urgentes
as
ordens do pombo maioral:
fazer
coco em toda a gente
que
encontrar pelo caminho
(menos
no tiozinho
que
carrega um saco de milho!)
domingo, 21 de fevereiro de 2016
Primeiros contatos
um dia uma senhora me disse:
“você deve lavar as costas das mãos
e tomar banho todos os dias
senão nasce couve atrás de sua orelha!
faça isso sempre
mesmo que água esteja fria ou
molhada!”
“a velha está gagá”, os meninos diziam
os adultos afirmavam: “é mal de
Alzheimer!”
para mim
foi o primeiro contato com a poesiaquinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Sexo Oral
![]() |
| "O Sonho da Mulher do Pescador" Hokusai 1760-1849 |
1
de tudo que vi naquele dia
nada me recordo além
de um pequeno pedaço de papel
higiênico
– talvez menor que uma parada de ácido
ou do mesmo tamanho –
preso na umidade da virilha
recém depilada
2
de tudo que vi naquele dia
nada me recordo além de que
havia uma pequena colina
– já cartografada anteriormente –
que se abria para uma ravina
margeada por vegetação esparsa &
rala:
ali um arroio secreto fluía
havia sede, na tarde quente
3
e que depois de vencer a escalada
– uma escarpa suave –
descansei no topo conquistado
e toda a terra – então –
foi sacudida por intensos tremores [1]_________________________________________
[1] Nota de rodapé
de tudo que vi naquele dia / nada me
recordo além de que / seu beijo era salgado / – como havia de ser – / e que
tinha o gosto do meu pau
*
*
Marcadores:
Hokusai,
poema sobre sexo oral,
Rafael Nolli,
sonho da mulher do pescador
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
The Soronprfbs - zine.
Detalhes sobre o número 2:
![]() |
| Capa e contra- apa |
![]() |
| Pixies e Isaias Faria |
![]() |
| Cesárea Tinajero, Pollock e Luiz Olavo Fontes |
Marcadores:
Cesárea Tinajero,
Lúcifer,
Pixies A big Big Love,
Pollock e Luiz Olavo Fontes
The Soronprfbs Zine.
Capas dos números 1, 2 e 3!
Participaram...
nº 1:
Cássio Amaral
Heleno Álvares
Rômulo Ferreira
Líria Porto
Jorge Vicente
William Blake
Flávio Otávio
Matisse
Rafael Nolli
Hugo Martins
Adalberto Souza
nº 2
Cesáre Tinajero
Cássio Amaral
Fabiano Calixto
Heleno Álvares
Pixies
Rafael Nolli
Cate Le Bon
Sara não tem nome
Hugo Martins
Adriana e Rafael Godoy
Isaias Faria
Carl Sandburg
Luiz Olavo Fontes
Pollock
nº 3
William Carlos Williams
Ton Lima
Lucas Félix
Rafael Nolli
E. E. Cummings
Higo Martins
Mara Senna
Jorge Vicente
Picasso
Diego Moraes (Urso)
Euza Noronha
Glauber Vieira Ferreira
Erico Baymma
Líria Porto
Rômulo Ferreira
Neruda
José Paulo Paes
Participaram...
nº 1:
Cássio Amaral
Heleno Álvares
Rômulo Ferreira
Líria Porto
Jorge Vicente
William Blake
Flávio Otávio
Matisse
Rafael Nolli
Hugo Martins
Adalberto Souza
nº 2
Cesáre Tinajero
Cássio Amaral
Fabiano Calixto
Heleno Álvares
Pixies
Rafael Nolli
Cate Le Bon
Sara não tem nome
Hugo Martins
Adriana e Rafael Godoy
Isaias Faria
Carl Sandburg
Luiz Olavo Fontes
Pollock
nº 3
William Carlos Williams
Ton Lima
Lucas Félix
Rafael Nolli
E. E. Cummings
Higo Martins
Mara Senna
Jorge Vicente
Picasso
Diego Moraes (Urso)
Euza Noronha
Glauber Vieira Ferreira
Erico Baymma
Líria Porto
Rômulo Ferreira
Neruda
José Paulo Paes
domingo, 3 de janeiro de 2016
The Soronprfbs - Zine
![]() |
| Capa e contra-capa. |
![]() |
| Duas páginas: um poema de Adalberto Souza; uma ilustração e uma poema de Rômulo Ferrera (silhueta zine) |
Não é a primeira vez que faço isso. Na
adolescência (período pré-internet... ((anos 90) participei de uma porção de zines, quase
sempre relacionados ao mundo underground do Metal Pesado (hashtag Bathory é uma puta banda, hashtag foda-se os posers & coisas do tipo!).
Também dei as caras em zines de quadrinhos, nada que eu possa ou deva me orgulhar...
![]() |
| Capa |
Também dei as caras em zines de quadrinhos, nada que eu possa ou deva me orgulhar...
O número 1 já está quase pronto e o
segundo episódio vem na cola, um nas costas do outro, para aproveitar as férias
(sim, sim, é uma paixão de verão, que não deve sobreviver ao retorno das aulas
((vida de professor e blá, blá blá).
![]() |
| The Soronprfbs - banda do filme Frank (2014) |
O mais bonito na aventura: tudo seguindo
por correio (carta mesmo, de papel, com selo e carteiro debaixo do sol escaldante) ou sendo distribuído na rua, nas
quebradas, tipo panfleto promocional de Centro Odontológico.
![]() |
| Jorge Vicente & Matisse |
![]() |
| Angel Olsen |
Tudo foi montado ao som de Angel Olsen, musa dessa edição.
É isso! Abraços!
sábado, 14 de novembro de 2015
Homenagem na XIII Feira do Conhecimento
Essa semana, fui homenageado na XIII Feira do Conhecimento do Colégio Atena, Araxá, MG.
Alunos de 4 anos, em fase de alfabetização, trascreveram e ilustraram meus poemas. Também fizeram um retrato meu, com colagem em EVA.
O melhor em tudo, essa é a turma do meu filho, Eduardo. Ele ficou absurdamente empolgado com os poemas, que foram escritos para ele, sobre temas que ele gosta: dinossauros, zumbins, etc.
O estande estava lindo demais, com exposição dos meus livros. Imaginem só o temanho da minha felicidade.
Algumas fotos a seguir!




Alunos de 4 anos, em fase de alfabetização, trascreveram e ilustraram meus poemas. Também fizeram um retrato meu, com colagem em EVA.
O melhor em tudo, essa é a turma do meu filho, Eduardo. Ele ficou absurdamente empolgado com os poemas, que foram escritos para ele, sobre temas que ele gosta: dinossauros, zumbins, etc.
O estande estava lindo demais, com exposição dos meus livros. Imaginem só o temanho da minha felicidade.
Algumas fotos a seguir!




domingo, 1 de novembro de 2015
Aos poucos minando a força que possuía
![]() |
| O veado ferido, Frida Kahlo, 1946, |
1
O marlim enfim descansa no
assoalho do barco
com a barbatana partida por um tubarão &
diversas cicatrizes de outros
encontros
Um anzol já enferrujado preso à boca –
talvez de um embate com Hemingway
Ter cruzado os oceanos com todas essas
marcas
será o último relato de tudo que
foi aos poucos minando a força que
possuía
2
O corpo do cervo caído
em pouco tempo não guardará as suas
marcas
senão o fêmur partido por um urso
e a ponta da seta cravada entre as
costelas
No chão da floresta, brancos de susto
seus ossos serão o último relato de
tudo que
foi aos poucos minando a força que
possuía
3
O casamento minando aos poucos
Rafael Nolli, 30/09/2015
sábado, 10 de outubro de 2015
domingo, 30 de agosto de 2015
sábado, 22 de agosto de 2015
Poema em camisa? Sim, senhor!
Essa semana lançamos uma camisa lindona. Com poemas da turma que participou da coletânea Fórceps (Coletivo Anfisbena 2013). Eu, Heleno Álvares, Flávio Offer e Cássio Amaral.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Paraíso
1
muito
além das plantações de agrotóxicos
esquecido
depois da derradeira ponte
do
último homem que por ali passou
não
resta o menor vestígio
o
que ele viu – há tantos anos atrás –
é o
mesmo que um satélite vê agora
da
imensidão do cosmo
nenhum
dos dois sequer suspeitou
terem
contemplado o paraíso
2
onde
hoje a árvore produz sombra
o
prédio da prefeitura se erguerá
o
rio prateado pelo sol escorrerá
sinistro
& pesado, dentro de uma galeria
pouco
depois da colina
um
sinal de trânsito determinará o fluxo
para
o que agora é vale & vento
3
sobre
esse chão as pessoas
conhecerão
fome & sede
e
lutarão até as últimas forças
onde
hoje prospera a grama miúda
a
estátua de um boçal apontará o dedo
para
a imensidão do espaço sideral
15/08/15
Marcadores:
Colagem,
Plantações de Agrotóxicos,
Poema,
Poemas é um péssimo título,
Rafael Nolli
terça-feira, 11 de agosto de 2015
10 poemas
Meus caros amigos, a Revista InComunidade comemora três anos de atividades. Tenho uma série de 10 poemas por lá. Um apanhado geral de tudo que fiz até agora!
Visitem!
http://www.incomunidade.com/v37/art_bl.php?art=41
Visitem!
http://www.incomunidade.com/v37/art_bl.php?art=41
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Elefante, por Adalberto Souza.
*
*
Amigos, o poeta Adalberto Souza, autor de Fantasmas não Andam de Montanha-Russa, escreveu uma resenha sobre o meu livro, Elefante. Confiram!
*
Amigos, o poeta Adalberto Souza, autor de Fantasmas não Andam de Montanha-Russa, escreveu uma resenha sobre o meu livro, Elefante. Confiram!
Abraços!
Gosto de surpresas. Gosto de passar as páginas de um livro e de repente
voltar para ler outra vez um trecho que ficou na cabeça. Gosto de um livro que
continua comigo depois da leitura, falando e me fazendo pensar, como um
parceiro/companheiro vai me acompanhando, ultrapassando o limite da última
página e tornando-se íntimo do meu cotidiano.
Gosto da intimidade estranha que o livro proporciona, os versos, as
conexões as tantas formas de ver a mesma coisa. Quando recebi o belo livro
ELEFANTE (Araxá: Coletivo Anfisbena, 2012) do poeta mineiro Rafael Nolli, logo
nas primeiras páginas esse ar impregnado de ansiedade, igual àquela que nos
assola na antessala do dentista, quando ouvimos aquele som, temido,
"daquela broca procurando cárie", fui pego pela poética do autor, uma
sensação ofegante e com gosto de vida em cada um dos poros.
A poesia de Nolli é desautomatizada e livre de amarras, sua poesia, leva
a encontros, leva ao sentir mais perplexo e pulsante. Sua poesia intercala com
Belchior e Shakespeare, Paul Valéry e Pink Floyd, diálogos densos e chocantes
que levam o leitor por caminhos labirínticos onde o fio condutor ao mesmo tempo
que desnorteia, também serve de bússola.
O lirismo pungente é
sem pastiches, apenas poesia, forte e simples. Os versos são curtos, são
diretos, travestidos numa subversão das convenções teóricas. O autor mostra a
palavra e o sentir: "palavra por palavra//para por de pé o poema://bateia
roendo o leito do rio".
Uma leitura, um livro, um leitor
arrebatado! Uma poesia a ser compartilhada.
terça-feira, 16 de junho de 2015
Comedìa
I - Inferno
Nenhuma
pista ou clareira
para
tentar a aterrissagem
ademais
o
trem de pouso emperrado
Retornar
ao lar
– oh
estações oh castelos! –
e
ninguém ter dado pela sua falta
II -
Purgatório
A TV
ligada para ninguém
– em
consultórios ortopédicos –
o
cheiro do tédio das atendentes
&
o clamor dos telefones
A
fila de mulheres pensativas
–
nos pronto-socorros –
as
crianças tossindo em seus colos
o
senhor debruçado sobre as rugas
A
ante-sala dos CTI’s
as
antecâmaras das policlínicas
os
azulejos brancos,
o
ventilador de teto
–
nas salas de espera dos centros de radiologia –
e
nos demais lugares onde a morte fareja
III
- Paraíso
Praticamente
nada a fazer senão para o pobre agente do Centro
de Controle de Pragas. A nuvem de veneno borrifada sobre as macieiras rouba
o brilho das asas dos anjos e embaça o aço de suas espadas. De manhã, o
batalhão de arcanjos em ordem unida, treinando para a possível batalha. E é
sempre manhã, aonde quer que se vá. Longa manhã de profunda ressaca. Os que
leram estão de acordo, é o mesmo paraíso descrito por Dante. Um saco!
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A divina comédia,
Círculos Infernais,
Dante,
L. Rafael Nolli,
Poemas é um péssio título
quinta-feira, 28 de maio de 2015
A mão
um
passo além da linha
e
disseram que cortariam a minha mão
todos
tiveram a coragem – ou a ousadia? –
e
atravessaram
eu fiquei
do outro lado acenando
gritando
cuidado! cuidado!
do livro Poemas é um péssimo título
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L. Rafael Nolli,
Poema a mão,
Poemas é um péssimo título
sexta-feira, 15 de maio de 2015
Martelo, Gelado, Cinzel
Para Heleno Álvares
1
tomemos
por exemplo um arqueólogo
que
descobre uma cidade submersa
&
em um infindável número de equívocos
interpreta
tudo errado
&
cria uma nova civilização
ou,
percebendo as possibilidades do erro
refaz
o mundo descoberto
para
a glória de outros visitantes,
perplexos
perdidos
entre as ruínas e o poema
2
(poesia = arqueologia)
cabe
ao poeta descobrir a palavra
que
passa rolando pelas cavernas do tempo
saber
colhê-las entre detritos
–
talvez o que há de melhor nelas –
ir
aonde descansam
&
instaurar o caos
3
fora
isso
o
poeta não passa do dono da festa
chapado
de ponche
que
desliga o som e manda todo mundo embora
ou o
dono da bola
que
acaba com o jogo ao ser driblado
ou
mandado para o banco
fora
isso
o
poeta só arranha a superfície
descobre
uma cidade submersa & grita
do
alto de sua glória (ou burrice):
“é
uma cidade submersa!”
20/01/2014
do livro Poemas é um péssimo título
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Lugar, território, paisagem
1
menina com flor no cabelo
parada na calçada
aguardando para atravessar
levanta o corpo na ponta dos pés
sobre uma sandália vermelha
(a batata das pernas enrijecida)
para ver sobre os carros
o outro lado da via
2
ao cruzar a rua
passa por tantas outras meninas
nenhuma que lhe devolva o olhar
ou congregue de sua alegria
quando alcança o outro lado
a trégua com os carros se rompe
e a rua é novamente inundada
pela feroz matilha
3
não vai se lembrar
de nenhum dos dois lados
ou do que viu entre eles
(ao olhar sobre os carros)
quando chegar a hora
de contar a sua jornada
21/01/2015
do livro Poemas é um péssimo título
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Lugar,
Poemas é um péssimo título,
território e Paisagem
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