quinta-feira, 6 de setembro de 2007

ESPARSOS EM MAIO DE 2003

tela de Dino Valls - Retablo Grávido

1

Vencendo barreiras e himens,

galgando distâncias e reentrâncias,


superando obstáculos, seios e vaginas,

plantando pênis, semeando porra:


o sexo de ontem faz os homens de amanhã.


2

Elaborando idéias e césio 137,

construindo bases aéreas e área 51,


demolindo pastos, homens e culturas,

plantando urânio, napalm e tecidos bacteriológicos:


o imperialismo de ontem faz os revoltosos de amanhã.


3

Refugiados em florestas, haxixes e cocas,

escondidos em escombros, fuzis e desertos,


falando o latino, o soviético, o molotove,

arando terra invadida, amolando foices no escuro:


todos os caminhos que nos separam da liberdade

passam pelo cabo Horn.


4

Carregando trouxa de roupas e embargos econômicos,

superando estiagens e dívidas externas,

nós prosseguimos nos fechando.


Levando compras e ordens,

vivendo de especulações, inflações e salários mínimos,

nós prosseguimos nos escondendo.


E não haverá casa, muro ou vala,

não restará refúgio, guetos ou exílios:

e nós prosseguimos atados por correntes e nós.





*

15 comentários:

Tânia rubia disse...

Olá,nolli tudo bem?
Parabéns pelo blog! nolli estou em um outro edereço (liriosdocampo.zip.net) beijos no seu coração!!!!!!!!
Tânia cabeza!!!

anjobaldio disse...

Rafael: obrigado pela visita lá no anjo baldio. Claro que você pode usar qualquer desenho ou pintura minha no seu blog. Ficarei muito honrado. Um grande abraço.

Sônia Marini disse...

Gosto da tua poesia. Gosto mesmo.
beijos

Helder Hortta disse...

grande poesia. poesia que tem a cara do meu povo. poesia brasileira e do mundo. poesia do homem. poesia para sempre.

forte. viscerau

abração

Ana M disse...

!!!!!!!!!!!!!!





bisou.

cássio amara disse...

Das inquietações, estilhaços e revoluções. Poemas que já conheço e relendo acho muito bons como de sempre, são barulhos sonoros, são gritos urrantes que invadem e que explodem. É como uma bomba que traz estilhaços. Poemas devem ser construídos como estes.

Abraço.

Analuka disse...

...E haverá, acaso, melhor refúgio do que nossos próprios e profundos pensamentos???...
Quando tudo parece infernal, e se foices parecem destruir os últimos fiapos de esperança, que resta senão lançar as últimas sementes, de amor, paz e desejo...de um mundo mais fértil e amoroso?...
Abraços alados.

Vieira Calado disse...

Muito bem imaginado, composto e escrito!
Bom Domingo

Caim disse...

Ou muito legal o poema... interessante como vc expõe os fatos...
grande abraço...

Mary disse...

Como sempre, memorável!

Amo teu jeito-revolta de escrever.

Bjos e boa semana.

PS: Valeu pela força! Deu certo!!! ;)

ediney disse...

gostei da infinitude dos versos e das imagens que vão se revelando

Lila Rose disse...

Você sempre me deixa sem palavras, Rafa! E nós somos nada muito além que óvulo fecundo, ideais políticos, escravos econômicos e reféns de toda a hipocrisia que plantamos.

Parabéns e uma ótima semana.

Bisous!

héber sales disse...

o poeta usa ter visões, né?
então há essa nossa afinidade
com as artes visuais.
e vamos q vamos!
abraço!

adelaide amorim disse...

Um belo poema-painel, Nolli. Belo mesmo. Grande abraço.

Maria disse...

sós e atados...gostei muito do stalingrado III. beijo.