segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Minha avó coando café

para minha mãe

1
toda vez que alguém reza
em qualquer parte do mundo
para qualquer Maria
reza para ela também


2
uma vez a carreguei no colo
miúda, octagenária
pesava uma tonaleada
estava carregando
– de certa forma –
todo mundo que ela carregara


3
por que ela era mãe da minha mãe
e de diversos modos foi minha mãe também:

quando perdeu o juízo
- a idade avançada e o diabetes -
virou filha da minha mãe
e assim – de alguma forma –
foi minha irmã também:

a ordem das coisas invertidas
ou definitivamente alinhadas






07/08/17


sábado, 5 de agosto de 2017

Prosa Poética Erótica


I
29/11/04
Seu ventre aberto sorri um riso de coisa a ser degustada satanicamente... corre um arroio de prazer em meio a tuas coxas. Como um cão vadio salto para o início (trêmulo!) de espetáculo. Na correnteza, amor, nadam peixes que deságuam em mim. Repleto, transbordo, escorro – invento um rio onde me afogo. 


Seu ventre aberto sorri um riso de coisa a ser degustada religiosamente... de suas coxas descem, ao infinito, um arroio. Como um herege devasso a passagem para o ápice (efêmero!) do show.  Na correnteza, amor, peixes transbordam para morrerem em minhas águas salgadas de mar transformado. Com dois passos venço a tempestade que me transformo.

  
Faísca uma fagulha de sol no útero negro da noite. Seu riso fecha-se em concha até transformar-se (provisoriamente!) numa rosa.







quinta-feira, 3 de agosto de 2017