segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Aviso de Despejo

Lagartixa Morta - Foto de Rafael Nolli

O poeta mente quando diz
que o amor é uma flor rara,
colhida nos verdejantes jardins da vida.

O amor, deveria ele dizer,
é o ato de desespero
no qual o homem se agarra,
é o chão que o suicida deseja –
mas embaixoapenas abismo e caos.

Mente o poeta quando diz que o amor
é o porto seguro onde se ancora
e mente duplamente quando afirma que Deus
nos fez para amarmos uns aos outros.

O amor, deveria ele dizer,
é a boia pela qual o afogado anseia,
masapenas água
e mais água em sua ânsia de boiar
acima, um pouco de céu sem fundo
abaixo, um universo de barro e lodo.

Amor é um cio estragado.


* do livro Comercias de Metralhadora


17 comentários:

isaias de faria disse...

o ingmar bergman é demais :"o amor é a mais negra das pestes". seu poema me lembrou ele. agora, que "o amor é um cio estragado" ficou foda demais também. vai entrar pra frases q mais curto. abraço grande meu caro.

isaias de faria disse...

esqueci de dizer que a foto... perfeita.

David Maratt disse...

caralho mano!!!! doido demais!! ao meu ver o melhor....

Albuq disse...

Muito bom!

Lou Albergaria disse...

Cheguei aqui por indicação de Carmen Presotto de Vidráguas e foi mesmo uma agradável surpresa.

Seu blog é belíssimo! Ela também me sugeriu a leitura de seu livro 'Memórias à beira de um estopim'. Fiquei muito interessada em lê-lo.

Excelente post! O amor é verdadeiramente um tiro no abismo...às vezes raso demais...

BEIJO GRANDE!!!


Lou Albergaria

Paola Vannucci disse...

Nolli

Amor é um sentimento sublime,

gostei

J.F. de Souza disse...

"é a boia que anseia o afogado,
mas há apenas água
e mais água em sua ânsia de boiar"...

Gosto dessa definição. Poderia até encarar o amor sob essa definição.

Mas delirantes de paixão - ou de desespero - não deveríamos nunca afirmar que sabemos o que é amor, sendo que, nesses momentos, qualquer fio de esperança serve...

Glauber Vieira disse...

Gostei também, é uma visão talvez mais psicológica do que é amor.

carmen silvia presotto disse...

O amor é um cio estragado... uma hipótese em eterna construção, tanto o queremos, tanto o cantamos, tanto o desejamos que, muitas vezes, esquecemos de viver... e teus versos são um golpe no estômago, versos para desaboletarmos sempre de nosso narciso, mirar a estrada, bater a porta do silêncio para seguirmos caminhantes.

Um beijo e te ler me desperta, que bom que logo teremos: Comercias de Metralhadora saindo do forno... e para a semana sevem estar chegando meus livros por aí.

Boa noite, bom dia, e seguimos!!

Cássio Amaral disse...

véi,

versos metralhados de primeira linha.

o amor é minha mulher que segurou na minha mão na ida e na volta para aí no avião. cara, turbulência me deixa tenso no ar.

bom poema meu irmão.

já com saudade sua e de sanny e de todos aí.

abração.

Anônimo disse...

bastante reconfortante.

Sue Castro disse...

Adoro o poema. Adoro ainda mais a imagem... (=

Graça Carpes disse...

Talvez... Um aborto.

Apareça noPulsar ;)

Leila Andrade disse...

A outra face do amor.
Muito bom, Nolli.
beijo.

hugo disse...

Pois é...

Fanzine Episódio Cultural disse...

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Angel Cabeza disse...

Rafa, o amor, para Schopenhauer, é o que o homem busca para tapar a colisão com a morte. É uma forma de se postergá-la. E posso dizer que teu poema está retratando isso: o amor como forma de fuga para a verdade irremediável da vida – a morte.

"O amor, deveria ele dizer,
é o ato de desespero".

O desespero é a válvula dos amantes.

Abraços do amigo.